volúpia azul

13 julho 2006

Idiossincrasias (V)

Ultimamente andava muito nervoso.
Abriam-se-lhe as páginas sem querer.
A lombada ficava cada vez mais flácida.
Receava que as suas linhas causassem reacções adversas.
Angustiava-o a possibilidade de que alguma pessoa não gostasse dele.
Mas, sobretudo, temia que o lessem na diagonal: enjoava facilmente.

Era defintivamente uma edição velhinha do Livro do Desassossego.

7 Comments:

  • Tu és fantástico!

    By Blogger ana ventura, at 13 julho, 2006 13:05  

  • Pior não podia ter acontecido. Por serem tantos a ler à surrapa e em diagonal, tão grande foi o desassossego, que o Livro enjoado, foi perdendo as folhas, cujas linhas fugidias se enrolaram na canela da velha máquina de costura. Estava ali transformada em escrivaninha, mas ganhou vida e coseu, coseu as folhas na lombada do que viria a ser o Livro do Sossego.

    By Anonymous Paimica, at 27 julho, 2006 15:42  

  • Gostei muito desta paragem na minha viagem, vou parando por aqui de vez enquando, gosto da tua escrita.

    By Blogger Dagarman, at 30 setembro, 2006 20:13  

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    By Anonymous Anónimo, at 06 fevereiro, 2007 19:30  

  • Este comentário foi removido por um gestor do blogue.

    By Anonymous Anónimo, at 16 março, 2007 18:24  

  • Post simp�tico. O debaixo lembra as invers�es que o Laerte faz, em quadrinhos. Creio que voc� goste de Fernando Pessoa - mas essas frases bem curtas at� que lembram um outro poeta - conhece Manoel de Barros?

    By Anonymous b.m., at 28 julho, 2007 00:14  

  • Hum, o menino tem jeito para a coisa... das letras claro está...

    By Blogger Pé na estrada, at 13 dezembro, 2010 14:43  

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